»» Fragmentos de Kardec  


      Que em 31 de Março de 1869 desencarnou Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita. Para homenageá-lo, transcrevemos abaixo o interessante artigo de Orson Peter Carrara, publica originalmente no Jornal O Clarim, de Outubro de 2004, e disponivel na internet neste seguinte endereço.

      A ocorrência do Bicentenário de nascimento de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, em 03 de Outubro de 2004 (o nascimento ocorreu em 1804) sugere que, além dos dados biograficos - amplamente divulgados e conhecidos - ampliar-se o conhecimento de seus pensamentos, para identificação do seu perfil psicológico.
     Colhemos em Obras Póstumas (Edição LAKE), alguns fragmentos de seus raciocinios, para homenagear a importante efeméride.

Para conhecer seu perfil moral, a transcrição seguinte traz preciso embasamento:
      "Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os Espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciencia que o seu saber era limitado ao grau de seu adiantamento, e que a opinião deles nao tinha senao o valor de uma opinião pessoal. Esta verdade, reconhecida desde o começo, evitou-me o grave escolho de crer na sua infalibilidade e preservou-me de formular teorias prematuras sobre a opinião de um só ou de alguns.
      Só o fato da comunicação com os Espíritos, o que quer que eles pudessem dizer, provava a existencia de um mundo invisivel onde o ambiente era já um ponto capital, um imenso campo franqueado ás nossas explorações, a chave de uma multidão de fenômenos inexplicados. O Segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo e seus costumes, se assim nos podemos exprimir. Cedo, observei que cada Espírito, em razão de sua opinião pessoal e de seus conhecimentos, desvendava-me uma face desse mundo extamente como se chega a conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e condiçôes, podendo cada qual nos ensinar alguma coisa e nenhum deles podendo, individualmente, ensinar-nos tudo".

Para conhecer o método aplicado nos estudos e observações sobre o Espiritismo, basta analisar esta frase:
     "(...) Apliquei a esta ciencia o metodo experimental, nao aceitando teorias preconcebidas, e observava atentamente, comparava e deduzia as consequencias, dos efeitos procurava elevar-me às causas, pela dedução e encadeamento dos fatos, não admitindo por valiosa uma explicação, senao quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão. Foi assim que procedi sempre em meus anteriores trabalhos, desde os quinze anos."

Sobre a responsabilidade que se impunha, expôe Kardec:
     "Compreendi logo a gravidade da tarefa, que ia empreender, e entrevi naqueles fenomenos a chave do problema, tão obscuro e tão controvertido, do passado e do futuro da humanidade, cuja solução vivi sempre a procura era, enfim, uma revolução completa nas idéias e nas crenças do mundo. cumpria, pois, proceder com circunspecção e nao levianamente, ser positivo e nao idealista para não me deixar levar por ilusões."

Comentando sobre o sistema de análise das comunicações com os Espíritos:
     "Incumbe ao observador formar o conjunto, coordenando, colecionando e conferindo, uns com os outros, documentos que tenham recolhido. Desta forma, procedi com os Espíritos como teria feito com os homens, considerei-os, desde o menor até o maior, como elementos de instrução e não como reveladores predestinados."
      Estabeleceu duas máximas que se imortalizaram de maneira patente a indicar os caminhos da Doutrina Espírita:
A) Fora da Caridade não há salvação, principio que ressalta a igualdade entre as criaturas humanas perante Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e a benevolência mútua.
B) Fé inabalavel é aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade, ressaltando que a fé raciocinada se apóia nos fatos e na lógica.
      Para concluir, nada melhor que trazer aos leitores uma PRECE de Allan Kardec, tambem estraída de Obras Póstumas, onde podemos sentir toda grandeza dálma deste nobre Espírito:
"SENHOR! Se vos dignastes lançar os olhos sobre mim, para satisfazer os vossos desígnos, seja feito a vossa vontade! A minha vida está em vossas mãos disponde do vosso servo. Pra tão alto empenho, eu reconheço a minha fraqueza. A minha boa vontade não faltará, mas podem trair-me as forças. Supri a minha insuficiência, dai-me as forças físicas e morais, que me sejam necessarias. Sustentai-me nos momentos dificeis e com o vosso auxilio e o dos vossos celestes mensageiros esforçar-me-ei por corresponder as vossas vistas."

Nota do Autor:

      Esta matéria usou como referência a publicação Hippolyte Léon Denizard Rivail - O Perfil de um Mestre, elbadorado pelo Centro Espírita "Esperança e Fé", de Franca - SP e reeditado pelo Centro Espírita "Caminho de Damasco", de Garça-SP, com pequenas alterações do texto original e utilizando como bibliografia as seguintes obras: 1) Biografia de Allan Kardec (de Henry Sausse) Edição LAKE; 2) Grandes Espíritas do Brasil (de Zéus Wantiul) Ed FEB; 3)Allan Kardec (de Zéus Wantiul e Francisco Thiesen) Editora FEB; 4) Vida e Obra de Allan Kardec (de Canuto Abreu) Editora Edicel; 5) Obras Postumas (de Allan Kardec) Editora LAKE; 6) Revista Reformador, de 1952, Editora FEB; 7) Narrações do Infinito (de Camile Flammarion) Editora FEB; 8) Herculanum (de J.W. Rochester) Editora FEB.